segunda-feira, 20 de março de 2017

Conheça como a Banca VUNESP cobra as questões de Serviço Social


  • Vunesp é uma das mais tradicionais bancas de concursos públicos municipais e estaduais de São Paulo e é responsável pela aplicação do vestibular da Unesp.

  • Todas as suas provas são de múltipla escolha – contendo cinco alternativas para cada questão.

  • As questões elaboradas pela Fundação Vunesp costumam ser bastante acessíveis, não sendo muito complexas e com um grau de dificuldade um pouco menor, quando comparado com as demais bancas avaliadoras.


Veja como são cobradas algumas questões de Serviço Social


QUESTÕES VUNESP
FUNDAMENTOS HISTÓRICOS TEÓRICOS METODOLÓGICOS DO SERVIÇO SOCIAL
Ano: 2015 Banca: VUNESP Órgão: SAEG

A fenomenologia é o estudo das essências; e todos os problemas, nesta perspectiva, tornam a definir essências, como por exemplo: a essência da percepção, a essência da consciência. A fenomenologia representa uma tendência filosófica que, inclusive, questionou os conhecimentos do positivismo, elevando a importância do sujeito no processo
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a) da formulação do pensamento materialista filosófico.
b) de aferição de resultados ontológicos do ser.
c) da construção do conhecimento.
d) da definição do problema de pesquisas quantitativas.
e) de elaboração dos fundamentos da sociedade burguesa.

Gabarito: C

Fenomenologia: é a busca da essência das coisas por meio da investigação racional, em que o fenômeno se apresentaria livre dos elementos pessoais e culturais. O alcance da essência fundamenta o conhecimento e se processa na experiência e/ou experimentação. Características:
Ø  Superação da dicotomia sujeito-objeto;
Ø  Ênfase colocada no processo, e não simplesmente no resultado;
Ø  O conhecimento é provisório, elaborado e reelaborado constantemente;
Ø  Círculo hermenêutico (compreensão, interpretação e nova interpretação) com enfoque subjetivo-compreensivista, com ênfase na pesquisa de abordagem qualitativa;
Ø  Opõe-se a filosofia positivista (presa à visão objetiva de mundo), contrapondo-se à crença na possibilidade de um conhecimento neutro e despojado de subjetividade e distante do homem.
Ø  Noção de intencionalidade: essa intencionalidade é da consciência, que sempre está dirigida a um objeto, tendendo ao reconhecimento de que não existe objeto sem sujeito, embora a fenomenologia eleve a importância do sujeito no processo de construção do conhecimento.
Ø  Retomada da humanização da ciência, estabelecendo nova relação entre sujeito e objeto, homem e mundo, considerados como polos inseparáveis

Para aprofundar o assunto, recomendo a leitura do artigo:


Ano: 2013 Banca: VUNESP Órgão: FUNDAÇÃO CASA

A questão social no Brasil, como nos demais países, é o substrato que fundamenta o Serviço Social como profissão; por essa razão, é tema frequente e objeto de intervenção desde o surgimento da profissão. A emergência do Serviço Social no Brasil se dá nas mesmas bases que a questão social, ou seja, no cenário das bases de produção capitalista que produz e reproduz a questão social. Assim compreendida, é correto afirmar que a questão social expressa também os conflitos existentes no cotidiano de quem a vivencia. É nesse campo de tensão – entre produção da desigualdade e produção da rebeldia – que atua o assistente social
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a) nas mais variadas expressões da questão social presentes na vida em sociedade.
b) comprometido com os pressupostos e fundamentos da sociedade do capital.
c) cumprindo objetivos que impulsionam sua atuação
d) para interferir e alterar o cenário de desigualdades econômicas.
e) competente na leitura e interpretação da realidade.
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Gabarito: A

É exatamente o que afirma Iamamoto:

A “questão social” é indissociável da sociabilidade capitalista (Netto, 2001; Iamamoto, 2007) e envolve uma arena de lutas políticas e culturais contra as desigualdades socialmente produzidas. Suas expressões condensam múltiplas desigualdades mediadas por disparidades nas relações de gênero, características étnico-raciais e formações regionais, colocando em causa amplos segmentos da sociedade civil no acesso aos bens da civilização. Dispondo de uma dimensão estrutural                 enraizada      na       produção social       contraposta   à          apropriação  privada          do            trabalho —, a “questão      social”            atinge           visceralmente          a          vida    dos sujeitos numa luta aberta e surda pela cidadania (Ianni, 1992), no embate pelo respeito aos direitos civis, sociais e políticos e aos direitos humanos. Esse processo é denso de conformismos e rebeldias, expressando a consciência e a luta que acumulam forças para o reconhecimento das necessidades de cada um e de todos os indivíduos sociais. É na tensão entre produção da desigualdade, da rebeldia e do conformismo que trabalham os assistentes sociais, situados nesse terreno movido por interesses sociais distintos, aos quais não é possível abstrair — ou deles fugir — porque tecem a trama da vida em sociedade. Foram as lutas sociais que romperam o domínio privado nas relações entre capital e trabalho, extrapolando a “questão social” para a esfera pública, exigindo a interferência do Estado no reconhecimento e a legalização de direitos e deveres dos sujeitos sociais envolvidos, consubstanciados nas políticas e serviços sociais, mediações fundamentais para o trabalho do assistente social (Iamamoto, 2007).

Recomendo a leitura integral do artigo da autora Iamamoto:

Ano: 2009 Banca: VUNESP Órgão: CETESB

De acordo com estudos de Marilda Iamamoto, o Movimento de Reconceituação do Serviço Social, emergido na metade dos anos __________ e prolongando-se por uma década - foi, na sua especificidade, um fenômeno tipicamente__________ . Dominado pela_________ ao tradicionalismo profissional, implicou um/uma ________global da profissão: de seus fundamentos ídeo-teóricos, de suas raízes sociopolíticas, da direção____________ da prática profissional e de seu modis operandi.
Escolha a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas do texto.
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a) 1930 . europeu . subordinação . discussão . atual
b) 1950 ..norte-americano . consolidação . repercussão . local
c) 1980 . europeu . aceitação . confirmação . política
d) 1950 . latino-americano . validação . reflexão . global
e) 1960 . latino-americano . contestação . questionamento . social


Gabarito: E

Iamamoto, afirma em sua obra “Serviço social na Contemporaneidade (pag. 205) que “o movimento de reconceituação do serviço Social – emergindo na metade dos anos 1960 e prolongando-se por uma década – foi, na sua especificidade, um fenômeno tipicamente latino-americano. Dominado pela contestação ao tradicionalismo profissional, implicou um questionamento global da profissão: de seus fundamentos ídeo-teóricos, de suas raízes sócio-políticas, da direção social da prática profissional e de seus modus operandis.

A autora destaca também que “o movimento de reconceituação do Serviço Social na América Latina teve lugar no período de 1965 a 1975, impulsionado pela intensificação das lutas sociais que se refratavam na Universidade, nas Ciências Sociais, na Igreja, nos movimentos estudantis, dentre outras expressões. Ele expressa um amplo questionamento da profissão (suas finalidades, fundamentos, compromissos éticos e políticos, procedimentos operativos e formação profissional), dotado de várias vertentes e com nítidas particularidades nacionais. Mas sua unidade assentava-se na busca de construção de um Serviço Social latino-americano: na recusa da importação de teorias e métodos alheios à nossa história, na afirmação do compromisso com as lutas dos “oprimidos” pela “transformação social” e no propósito de atribuir um caráter científico às atividades profissionais. Denunciava-se a pretensa neutralidade político-ideológica, a restrição dos efeitos de suas atividades aprisionadas em micro espaços sociais e a debilidade teórica no universo profissional. (...) De base teórica e metodológica eclética, o movimento de reconceituação foi inicialmente polarizado pelas teorias desenvolvimentistas. Em seus desdobramentos, especialmente a partir de 1971, este movimento representou as primeiras aproximações do Serviço Social à tradição marxista, haurida em manuais de divulgação do marxismo-leninismo, na vulgata soviética, em textos maoístas, no estruturalismo francês de Althusser, além de outras influências de menor porte. Registra-se, entretanto, a ausência de uma aproximação rigorosa aos textos de Marx. Esse período coincide com a ditadura militar no Brasil, fazendo com que o debate aqui assumisse outras tonalidades e recebesse distintas influências, especialmente do vetor modernizador e tecnocrático, combinado com extratos da filosofia aristotélico-tomista no âmbito dos valores e princípios éticos. Verifica-se, no Brasil, nesse período, um pólo de resistência a esta vertente modernizadora, liderado pela Escola de Serviço Social da Universidade Católica de Minas Gerais (ESS/UCMG), integrado aos rumos do movimento de reconceituação latino-americano, tal como se expressou nos países de língua espanhola.

A autora aponta que “aquele movimento não foi nem unitário nem homogêneo. Ao contrário: tanto em função de suas gêneses sociais diferenciadas – determinadas por contextos sociopolíticos e econômicos distintos – quanto em razão da vinculação intelectual e política por parte de seus protagonistas a matrizes teóricas e societárias também diversas, o movimento de reconceituação se molda como uma unidade repleta de diversidades.

Recomendo a leitura do livro Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 2ª Parte. Capítulo II. Item 2: O legado da Reconceituação.

Ano: 2015 Banca: VUNESP Órgão: SAEG

A pretensão de superar a fragmentação do conhecimento por meio de uma reordenação epistêmica, mas sem o pressuposto da dependência ontológica do saber em relação ao mundo objetivo e sem buscar a origem, a natureza e a função social do processo de fragmentação, tanto material quanto intelectual, e sem a superação da perspectiva moderna da cientificidade, pode ser muito atraente, porém é inteiramente equivocada e fadada ao insucesso. Não é a soma de partes justapostas que produz um conhecimento totalizante. Este só pode ser produzido a partir de fundamentos metodológicos radicalmente diversos daqueles que embasam a perspectiva da cientificidade moderna. Estes fundamentos implicam uma teoria geral do ser social e têm a sua chave mestra na
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a) compreensão dos fragmentos da teoria.
b) hermenêutica da dialética da simplicidade.
c) categoria ontológica da totalidade.
d) expressão mais concreta do pensamento humano.
e) transmissão do saber sociologicamente construído.
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Gabarito: C

Fragmento retirado do artigo: Interdisciplinaridade, formação humana e emancipação humana. Ivo Tonet. Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 116.

Neste artigo, o autor afirma que “a pretensão de superar a fragmentação do conhecimento através de uma reordenação epistêmica, mas sem o pressuposto da dependência ontológica do saber em relação ao mundo objetivo e sem buscar a origem, a natureza e a função social do processo de fragmentação, tanto material quanto intelectual e sem a superação da perspectiva moderna da cientificidade, pode ser muito atraente, porém é inteiramente equivocada    e fadada ao insucesso. Não é a soma de partes justapostas que produz um conhecimento totalizante. Este só pode ser produzido a partir de fundamentos metodológicos radicalmente diversos daqueles que embasam            a perspectiva da cientificidade  moderna. Estes fundamentos implicam uma teoria geral do ser social (uma ontologia — históricosocial — do ser social) e tem na categoria ontológica da totalidade a sua chave mestra!

O autor ainda destaca que: “para todos aqueles que se propõem como objetivo contribuir com suas atividades teóricas para a construção de uma autêntica comunidade humana, plenamente emancipada, é imperativo o domínio da perspectiva metodológica — de caráter ontológico — à qual nos referimos acima, pois só ela permite a produção de um saber totalizante.”

Recomendo a leitura completa do artigo: Interdisciplinaridade, formação humana e emancipação humana. Ivo Tonet. Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 116, p. 725-742, out./dez. 2013. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/sssoc/n116/08.pdf.


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